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Wednesday, March 16, 2011

Ler é terapêutico

Estava eu navegando na internet quando me deparo com um texto que reflete tudo que sinto sobre ler, e quando vi seu autor, me deparei com meu antigo professor que já publiquei aqui no Blog, Gabriel Perissé... sendo assim, compartilho com vocês.



Entrar numa livraria é, em si mesmo, um ato terapêutico. Tudo ali converge para a cura do tédio e outras doenças: livros que querem gente e gente que gosta de livros, gente que trabalha com livros e gente buscando livros, cheiro de livro, livros em exposição, suas capas, a sensação incontestável de que o mundo é feito de papel e palavras.
Pelo menos uma vez por semana, saia da cama com a ideia fixa: entrar numa livraria. Fique ali durante meia hora, ou mais. Toque os livros e se deixe observar por eles.
Escolha um, leia algumas páginas ao acaso. Visite autores conhecidos. Conheça novos autores. Não pisque, não hesite, arrisque, molhe os pés nas águas frias de algum livro.
Não é preciso comprar nenhum livro no dia em que estiver na livraria. Basta ficar ali dentro, experimentando o clima livral, como se o mundo fosse aquilo só, aquela fosse a paisagem em que nos coube viver.
Escolha um dia qualquer, entre na livraria, para ouvir a respiração dos livros, seus sussurros, seus chamados silenciosos, sentir no ar a aflição dos livros — porque eles querem sair para conhecer a realidade aqui fora.
Se algum livro conquistar você, compre-o então, tire-o de lá, daquela prisão, daquela redoma, daquele orfanato, daquele abismo. Leve-o para fora, prometa-lhe a leitura mais intensa, as descobertas mais empolgantes, os delírios de quem lê. Leve-o para fora dali. Para dentro da sua vida.
O livro comprado e levado é mais do que uma nova companhia. É compromisso para sempre, na euforia e na depressão, na miséria e na abundância, sem possibilidade de empréstimos, pois bem sabemos que livro não se empresta… Nem se devolve.
Ao chegar em casa, deixe o livro descansar um pouco, não tenha pressa. Deixe que ele se sinta à vontade. Mais tarde, quando enfim vocês dois estiverem juntos e puderem conversar em paz, esqueça-se de tudo, para lembrar o essencial.
Contudo, muitos outros livros estão ainda na livraria, sem destino, correndo o risco do encalhe, abandonados à própria sorte, ameaçados pelo esquecimento, pela morte. É preciso, portanto, voltar até lá, mergulhar outra vez na livraria.
Entre na livraria qualquer dia desses. Lá estão eles, os livros. Não queira saber se são caros ou baratos, famosos ou modestos, compreensíveis ou obscuros. Entre lá. Eles estão esperando por você, ansiosamente.

Tuesday, January 4, 2011

Sugestões para 2011

Sugestões para 2011

Posted: 31 Dec 2010 03:00 AM PST

Ed René Kivitz


#1

Não assuma compromissos do tipo “vou iniciar uma dieta”, “vou começar alguma atividade física”, “vou terminar o curso de inglês”. Esse tipo de coisa serve apenas para acumular culpa e frustração sobre os seus ombros.

#2

Não acredite nesse pessoal que diz que “sem meta você não vai a lugar nenhum”. Pergunte a eles por que, afinal de contas, você tem que ir a algum lugar. Trate esses “lugares futuros imaginários” apenas como referência para a maneira como você vive hoje – faça valer a caminhada: se você chegar lá, chegou, se não chegar, não terá do que se arrepender. A felicidade não é um lugar aonde se chega, mas um jeito como se vai.

#3

Não pense que você vai conseguir dar uma guinada na vida apenas mudando o seu visual. É a alegria do coração que dá beleza ao rosto, e não a beleza do rosto que dá alegria ao coração.

#4

Não faça nada que vá levar você para longe das suas amizades verdadeiras. Amizades levam um tempão para se consolidar e um tempinho para esfriar, pois assim como a proximidade gera intimidade, a distância fragiliza os vínculos.

#5

Não fique arrumando desculpas nem explicações para as suas transgressões. Quando cometer um pecado, assuma, e simplesmente diga “fiz sim, me perdoe”. Comece falando com Deus e não pare de falar até que tenha encontrado a última pessoa afetada pelo que você fez.

#6

Não faça nada que cause danos à sua consciência. Ouça todo mundo que você confia, tome as suas decisões, e assuma as responsabilidades. Não se importe em contrariar pessoas que você ama, pois as que também amam você detestariam que você fosse falso com elas ou se anulasse por causa delas.

#7

Não guarde dinheiro sem saber exatamente para que o está guardando. Dinheiro parado apodrece e faz a gente dormir mal. Transforme suas riquezas em benefícios para o maior número de pessoas. É melhor perder o dinheiro que ocupa seu coração, do que o coração que se ocupa do dinheiro.

#8

Não deixe de se olhar no espelho antes de dormir. Caso não goste do que vê, não hesite em perder a noite de sono para planejar o que vai fazer na manhã seguinte. Ao se olhar no espelho ao amanhecer, lembre que com o sol chega também a misericórdia de Deus: a oportunidade de começar tudo de novo.

#9

Não leve mágoas, ressentimentos e amarguras para o ano novo. Leve pessoas. Sendo necessário, perdoe ou peça perdão. Geralmente as duas coisas serão necessárias, pois ninguém está sempre e totalmente certo. Respeite as pessoas que não quiserem fazer a mesma viagem com você.

#10

Não deixe de se perguntar se existe um jeito diferente de viver. Não acredite facilmente que o jeito diferente de viver é necessariamente melhor do que o jeito como você está vivendo. Concentre mais energia em aprender a desfrutar o que tem do que em desejar o que não tem.

#11

Não deixe o trabalho e a religião atrapalharem sua vida. Cante sozinho. Leia poesias em voz alta. Participe de rodas de piada. Não tenha pressa de deixar a mesa após as refeições. Pegue crianças no colo. Ande sem relógio. Fuja dos beatos.

#12

Não enterre seus talentos. Nem que seu único tempo para usá-los seja da meia noite às seis. Ninguém deve passar a vida fazendo o que não gosta, se o preço é deixar de fazer o que sabe. Útil não é quem faz o que os outros acham importante que seja feito, mas quem cumpre sua vocação.

#13

Não crie caso com a mulher ou com o marido. Nem com o pai nem com a mãe. Nem com o irmão nem com a irmã. Caso eles criem com você, faça amor, não faça a guerra. O resto se resolve.

#14

Não jogue fora a utopia. Ninguém consegue viver sem acreditar que outro mundo é possível. Faça o possível e o impossível para que esse outro mundo possível se torne realidade.

#15

Não deixe a monotonia tomar conta do seu pedaço. Ninguém consegue viver sem adrenalina. Preste bastante atenção naquilo que faz você levantar da cama na segunda-feira: se for bom apenas para você, jogue fora ou livre-se disso agora mesmo. Caso não queira levantar da cama na segunda-feira, grite por socorro.

#16

Não deixe de dar bom dia para Deus. Nem boa noite. Mesmo quando o dia não tiver sido bom. Com o tempo você vai descobrir que quem anda com Deus não tem dias ruins, apenas dias difíceis.

#17

Não negligencie o quarto secreto onde você se encontra com seu eu verdadeiro e com Deus – ou vice-versa. Aquele quarto é o centro do mundo – o mundo todo cabe lá dentro, pois na presença de Deus tudo está e tudo é.

#18

Não perca Jesus de vista. Não tente fazer trilhas novas, siga nos passos dEle. O caminho nem sempre será tão confortável e a vista tão agradável, mas os companheiros de viagem são inigualáveis.

#19

Não caia na minha conversa. Aliás, não caia na conversa de ninguém. Faça sua própria lista. Escolha bem seus mestres e suas referências. Examine tudo. Ouça seu coração – geralmente é ali que Deus fala. Misture tudo e leve ao forno.

#20

Não fique esperando que sua lista saia do papel. Coloque o pé na estrada. Caso não saiba por onde começar, não tem problema. O sábio disse ao caminhante que “não há caminho, faz-se caminho ao andar”.

Saturday, November 27, 2010

O velho, o menino e a mulinha

Eu era uma criança, devia estar na 3º ou 2 º serie do ensino fundamental quando lemos a historia abaixo, mas por algum motivo que não me lembro qual é, nunca mais esqueci sendo assim aproveitando que estou em uma fase bem menos autoral divido a fabula com vocês.


O velho, o menino e a mulinha por Monteiro Lobato.


O velho chamou o filho e disse: - Vá ao pasto, pegue a mulinha e apronte-se para irmos à cidade, que quero vendê-la.

O menino foi e trouxe a mula. Passou-lhe a raspadeira, escovou-a e partiram os dois a pé, puxando-a pelo cabresto. Queriam que ela chegasse descansada para melhor impressionar os compradores.

De repente: - Esta é boa! - exclamou um visitante ao avistá-los. - O animal vazio e o pobre velho a pé! Que despropósito! Será promessa, penitência ou caduquice?...

E lá se foi, a rir.

O velho achou que o viajante tinha razão e ordenou ao menino: - Puxa a mula, meu filho! Eu vou montado e assim tapo a boca do mundo.

Tapar a boca do mundo, que bobagem! O velho compreendeu isso logo adiante, ao passar por um bando de lavadeiras ocupadas em bater roupa num córrego.

- Que graça! - exclamaram ela. - O marmanjão montado com todo o sossego e o pobre do menino a pé... Há cada pai malvado por este mundo de Cristo... Credo!...

O velho danou-se e, sem dizer palavra, fez sinal ao filho para que subisse à garupa.

- Quero só ver o que dizem agora...

Viu logo. O Izé Biriba, estafeta do correio, cruzou com eles e exclamou: - Que idiotas! Querem vender o animal e montam os dois de uma vez... Assim, meu velho, o que chega à cidade não é mais a mulinha; é a sobra da mulinha...

- Ele tem toda razão, meu filho; precisamos não judiar do animal. Eu apeio e você, que é levezinho, vai montado.

Assim fizeram, e caminharam em paz um quilômetro, até o encontro dum sujeito que tirou o chapéu e saudou o pequeno respeitosamente.

- Bom dia, príncipe!

- Porque príncipe? - indagou o menino.

- É boa! Porque só príncipes andam assim de lacaio à rédea...

- Lacaio, eu? - esbravejou o velho. - Que desaforo! Desce, desce, meu filho e carreguemos o burro às costas. Talvez isso contente o mundo...

Nem assim. Um grupo de rapazes, vendo a estranha cavalgada, acudiu em tumulto com vaias: - Hu! Hu! Olha a trempe de três burros, dois de dois pés e um de quatro! Resta saber qual dos três é o mais burro...

- Sou eu! - replicou o velho, arriando a carga. - Sou eu, porque venho há uma hora fazendo não que quero mas o que quer o mundo. Daqui em diante, porém, farei o que manda a consciência, pouco me importando que o mundo concorde ou não. Já que vi que morre doido quem procura contentar toda gente...

MORAL: "Não sei o caminho do sucesso, mas com certeza o do fracasso é querer agradar a todo mundo"

Monteiro Lobato

In: Fábulas

Editora Brasiliense, 1972


Wednesday, November 17, 2010

Canção do exílio

Domingo passado voltando do show da Norah Jones em São Paulo vi numa das estações do metro este poema e me lembrei que minha avó recitava a primeira estrofe para mim quando eu era pequeno, sendo assim , resolvi compartilhar... aí vai.


Canção do exílio

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

Saturday, October 30, 2010

Zé do livro

Zé do livro

Escrito por Gabriel Perissé

26-Mar-2007

Zé do Livro acorda cedo para vender livros usados e manuseados em vários pontos da grande cidade. Gosta de repetir para os clientes indecisos: “livro novo é aquele que você não leu”.

Camelô de livros baratos, Zé do Livro acredita na cultura, na ficção, na poesia, na ciência, nas idéias, nos índices e posfácios. É um idealista realista, porque livro é seu negócio, sua mercadoria, sua sobrevivência. Sua fome (de estômago mesmo) só não é maior do que sua fome de leitura. Depois do café da manhã, só pensará em almoço quando vender algum livro.

Não é pobreza, o seu problema. Pobre ele não é. Tem livros, tem vocabulário, intimidade com autores inesquecíveis, repertório, opiniões, referências, tem lá suas teorias sobre a sociedade monetarizada e o fim do mundo. Pobre é um país com leitores que não lêem. E essa pobreza, sim, o angustia.

Zé do Livro põe os livros na calçada, atrapalhando o fluxo dos pedestres. Quando chove sai correndo para que os livros não morram afogados. No final do dia, alguns trocados no bolso, volta com sua sacola de livros (poucos vendeu), sacola sempre cheia também de esperança — amanhã muitas pessoas vão descobrir que leitura é libertação.

Ao longo do dia, Zé do Livro lê e relê, faça frio, faça calor. Sabe que um livro, em sua vida útil, pode passar pelas mãos de 5 a 6 pessoas. Ele sente nas páginas envelhecidas as impressões digitais (e mentais) dos leitores que já tocaram o livro. Zé do Livro (coisa inexplicável, mas normal) consegue sentir nos livros usados as dores e alegrias de quem já os folheou.

Livros têm dono e não têm. Assemelham-se a tartarugas, querem viver mais de 100 anos, passar de pai para filho, de avô para neto, de desconhecido para desconhecido.

Volta e meia encontro Zé do Livro vendendo livros em ruas, avenidas, becos, ladeiras, escadarias, praças. Os preços são imorais de tão baixos. Sua intenção maior é que o leitor leve o livro, e que a sua sacola de sacoleiro volte mais leve. Zé do Livro, o melhor amigo dos livros e leitores. Providencia encontros, reencontros.

Antes de dormir, Zé do Livro faz seu exame de consciência: Terei amado os livros com amor verdadeiro? Li os livros com a criatividade que eles merecem? Fiz meu proselitismo... “proselivrismo” em prosa e verso?

Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor.

Monday, January 19, 2009

Pela estrada da vida






A vida é uma estrada.



Não se sabe o tamanho do percurso nem a duração da viagem.

Pode ser longa ou curta.

Com transito fluindo livre ou engarrafamento.

Momentos de declives e aclives.

Ultrapassagens perigosa, buracos, lombadas, acostamento perfeito ou imperfeito.

Abismos, acidentes, atropelamentos. Lindas paisagens, ar puro, sol e chuva.

Via de mão dupla ou única.

Amigos dando sinal de luz para alertar, ajudar.

Buzinadas suaves ou assustadoras.

Na estrada....da vida, também precisa paciência, prudência, atenção, tolerância.

Cuidados consigo e com o outro.

Parada para revigorar o caminhar.

Tem retas que parecem fáceis de seguir, mas podem facilitar um cochilo e sair do prumo.

Curvas acentuadas, pistas irregulares.

Encruzilhadas, retornos, várias saídas.

Fluxo intenso ou moderado.

Na vida tem muitas estradas.

Siga, pare, sempre com atenção.

Sinais não faltam para essa viagem, para esse caminhar.

Fique atento.

Sua vida depende de como você a guia.

Você é o motorista, está na direção da sua vida.






O belíssimo texto acima recebi como um presente da minha amiga Paula do blog Pensamentos e fotos há algum tempo, num ato egoísta guardei algum tempo só para mim e agora divido com todos aqui ..........

A minha amiga Paula, obrigado é muito pouco, beijos !!